Há mais ou menos um ano ouvi falar dessa escritora indiana que mora em Toronto, Canadá. Foi uma surpresa, e uma boa surpresa. Apesar de ser fã de poesia falada, não conhecia o trabalho dela, muito menos sua tão conhecida página no Instagram, onde Rupi ficou conhecida após postar suas poesias de mansinho. Após indicação da linda Jout Jout, do canal Jou Jout prazer e de me deparar com seu primeiro livro todas as vezes que entrava em uma livraria (sim, pois o primeiro livro da autora ocupou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, vendendo mais de 500 mil cópias) decidi comprá-lo. E foi uma das minhas leituras mais prazerosas do ano de 2018 (apesar do livro ter sido lançado em 2014, #delay).
Ao ler Milk and Honey, seu primeiro livro, que no Brasil ganhou o título sugestivo Outros jeitos de usar a boca, me encantei e me perguntei: porque não a conheci antes?
À primeira vista, o livro parece sugerir poemas de teor sensual, o que não é falso, pois podemos encontrar vários poemas sensuais e insinuantes, no entanto, ao abrirmos o livro, nos deparamos com uma orelha e o primeiro poema que diz "aqui está a jornada de/ sobrevivência pela poesia/ aqui está o sangue suor lágrimas/ de vinte e um anos/ aqui está o meu coração/ em suas mãos/ aqui está/ o amor/ a dor/ a ruptura/ a cura." Neste poema introdutório, Kaur, de certa forma, nos avisa do que estamos prestes a fazer: entrar numa jornada durante a qual choraremos muito. O título sugestivo ajuda a vender, mas seu conteúdo nos faz voltar ao primeiro amor com a poesia. Ao ler Outros jeitos de usar a boca, lemos sobre amor, violência, traumas, auto-afirmação, auto-conhecimento, auto-aceitação e empoderamento.
À primeira vista, o livro parece sugerir poemas de teor sensual, o que não é falso, pois podemos encontrar vários poemas sensuais e insinuantes, no entanto, ao abrirmos o livro, nos deparamos com uma orelha e o primeiro poema que diz "aqui está a jornada de/ sobrevivência pela poesia/ aqui está o sangue suor lágrimas/ de vinte e um anos/ aqui está o meu coração/ em suas mãos/ aqui está/ o amor/ a dor/ a ruptura/ a cura." Neste poema introdutório, Kaur, de certa forma, nos avisa do que estamos prestes a fazer: entrar numa jornada durante a qual choraremos muito. O título sugestivo ajuda a vender, mas seu conteúdo nos faz voltar ao primeiro amor com a poesia. Ao ler Outros jeitos de usar a boca, lemos sobre amor, violência, traumas, auto-afirmação, auto-conhecimento, auto-aceitação e empoderamento.
É impossível não levar um soco a cada poema, principalmente se você é mulher. Como boa feminista, Rupi Kaur fala sobre os pesares de ser mulher numa sociedade machistaa,na qual nós mulheres somos levadas a acreditar, nas palavras da própria poetiza, que nossos corpos são feitos para "dar aos que quisessem [que nos sentíssemos] qualquer coisa/ menos inteira[s]."
Outros jeitos de usar a boca, escrito e ilustrado por Rupi, divide-se, como denuncia o poema introdutório, em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura, respectivamente.
Na dor, literalmente, Rupi escreve sobre a relação de pais e filhas, de abuso, e da forma como aprendeu, errado, como uma mulher devia ser tratada na sociedade. Em suma, a autora conta da dor de relacionamentos abusivos e tóxicos e dolorosos com os homens de sua vida.
No amor, Rupi escreve sobre o amor materno e os amores românticos, que apesar disso, não deixam de ser amores empoderadores, como no poema "não quero ter você/ para preencher minhas partes vazias/ quero ser plena sozinha / quero ser tão completa/ que poderia iluminar a cidade/ e só aí/ quero ter você/ porque nós dois juntos/ botamos fogo em tudo." Rupi nos faz querer esse amor. Além de poemas fortes que inspiram um relacionamento saudável, vemos desenhos que propõem genitálias no ápice do sexo, bocas, corpos que se tocam, roupas ao chão, silhuetas. Todas as peças necessárias para alguns poemas do livro conterem uma experiência diferente.
Na ruptura, o apego e a partida de quem se ama. Nessa parte encontramos poemas amorosos de saudade, mas que também demonstram uma dependência quase que total do ser amado. No entanto, mais uma vez traz o empoderamento de forma a trazer força e consolo ao coração que foi partido, terminando com o poema "o jeito como vão embora diz tudo".
Na cura, Rupi finalmente no leva numa jornada de amor e respeito próprio, onde redescobrirmos a força de sermos belos em nossa individualidade e da importância de não depender do outro para ser feliz.
Em todas as partes, a autora nos dá um show de poesia e de arte visual, com ilustrações sugestivos e propõem uma sensualidade que, particularmente, nunca vi em uma livro antes. E um show para o cérebro e para os olhos.
Em todas as partes, a autora nos dá um show de poesia e de arte visual, com ilustrações sugestivos e propõem uma sensualidade que, particularmente, nunca vi em uma livro antes. E um show para o cérebro e para os olhos.
(Por Menina Huxley)

