
Olá, senhoras e senhores.
Como minha colega Menina Huxley fez as honras, não me delongarei em apresentações. Neste blog, faremos alguns textos sobre assuntos variados.
É bem verdade que sou um ávido fã da franquia Halloween, do serial killer Michael Myers. A película de 1978, obra de John Carpenter, tornou Myers um dos precursores de filmes slasher, aqueles com serial killers mudos, deu à atriz Jamie Lee Curtis a alcunha de "Rainha do Grito" e alçou certos atores ao status de "cult", como Donald Pleasance e seu Dr. Sam Loomis.
Ao contrário de filmes como Massacre da Serra Elétrica, com cenas viscerais e gore extremo, este filme explorava ao máximo o poder do suspense, com takes sugestivos e um trabalho de som muito imersivo, explorando até a respiração do assassino em série.
O filme foi um grande sucesso, tanto em crítica quanto em bilheteria e deu origem a inúmeras continuações, algumas muito boas, como Halloween 2 e Halloween H20. E algumas coisas mirabolantes, como Halloween 5, 6 e Ressurreição. Os remakes de 2007 e 2009, produzidos por Rob Zombie, deram uma cara mais sanguinolenta ao vilão, mas assim como todas as outras continuações, não conseguiram replicar o charme do clássico setentista.
Agora, em 2018, tivemos Halloween, dirigido por David Gordon Green.
O primeiro grande mérito deste filme é que ele traz uma enorme nostalgia em relação ao original, com as câmeras sugestivas e aquela trilha sonora fantástica do John Carpenter. E o melhor: ignora todas essas continuações acima citadas e retoma a história exatamente onde o filme de 1978 tinha parado. E traz de volta os mesmos atores dos papéis principais, sendo Curtis no papel de Strode e Nick Castle no papel de "The Shape" (como Myers era chamado em 1978).
Ele pega umas referências tanto a ícones do original, com o Dr. Sam Loomis (e as referências a ele aqui estão gritando pra serem notadas) quanto a cenas marcantes (que vocês verão, porque obviamente não direi aqui, ou seria spoiler).
Mas o grande ponto desse filme e que subverte muitas características comuns do gênero - é que aqui as mulheres têm um papel de protagonismo que foge da menina fraca que tem sorte de sobreviver no final, toda cagada. E bem, Hollywood não tem muitas protagonistas mulheres, ainda mais velhas sisudas como esse filme apresenta.
Aqui, temos mulheres que de fato fazem as coisas acontecerem, com destaque pra Laurie Strode, vivida pela Jamie Lee Curtis. Cara, a Laurie está FODA PRA CARALHO, embora leve consigo as marcas do trauma sofrido. Ela se preparou esses anos todos para o reencontro, mas não virou totalmente uma tia louca e reclusa. Ela tem traços de humanidade que fazem a gente sentir muita empatia e se preocupar por ela. E uma das cenas dela fazem a gente ficar tipo "CARAAAAAAAAALHO TIO" pela subversão do gênero e da expectativa. Obviamente não falaremos dela aqui, pois vocês terão que ver.
Michael Myers está muito bom. Souberam atualizá-lo para os tempos atuais muito bem e com a elegância do original. Ou seja, câmeras sugestivas e a respiração dele dão todo o clima de tensão necessária, a ponto de você ficar quase paranóico pensando onde ele pode estar e quando ele vai aparecer. E funciona muito bem.
Halloween é um ótimo terror slasher, elegante e classudo, que remonta ao clássico setentista, mas muito bem adaptado para a época atual.
(Por Winston Lecktor)
